Gato e borboletas

Gato e borboletas

domingo, 25 de setembro de 2011

Segredo da menina - março/2002

Há momentos em que rompemos com as regras.
Não as regras insanas dos homens, mas as nossas sagradas regras do dia-a-dia.
Sagradas até o momento que saímos pela tangente, sorrateiramente, dançando as notas que o mar entoa.
Despimo-nos de qualquer ponteiro, de qualquer não posso, de qualquer não devo.
O que vale é o coração e a alma ritmada.
Que ora rodopia ao vento quando versos, como pena ao soprar da brisa, caem.
Caem acariciando a face, os ombros, rolam ...
E o poeta a sopra novamente no sussurro da canção.
Que não importa a métrica é canção por excelência.
Embalando a alma dos ouvidos que no momento fazem-se súditos das suas palavras.
E a hora passa...
Como o mais puro dos méis que ao provarmos, escorre da boca, e segue ...
A música, que não cessa, embriaga aquela que, na expectativa da próxima palavra, perde-se.
E faz de Pã, naquele momento, o único Deus capaz de reger sua vida.
As horas passam, e o néctar, destilado, vai ficando mais puro e sagrado no despedir-se de cada presente.
E o poeta continua.
E a poesia, que ora encantava ouvidos desatentos e almas mais ainda, é monopolizada pelo coração de quem ama.
Que bebe do poeta salvando-se da sede que o deserto causara.
E naquele momento os olhares se cruzam. A única regra é amar, como poucos sabem, como poucos ousam.
O amor que eterniza-se nas declarações feitas com os olhos, com o sorriso, com o peito ...
Declarações únicas, inefáveis.
E a hora passa.
E seguimos amando.
Como poucos sabem, como poucos sonham ser possível.
E num simples suspiro sentimos a paixão melhor de todas.
E agradecemos a Deus o momento de nos desprendermos dos corpos, que morrem, e deixarmos as almas voarem, entrelaçando-se no mais sublime balé.
Quando música e movimento consagram a dança das almas perdidas na saudade e que voltam a se encontrar.
Entorpecidas no encantamento das palavras.
E a menina segue, antes que o sol brilhe publicando seu segredo.
E o mar vai apagando suas pegadas para que ninguém leia a história ...
... que só aos Deuses pertence.

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