Gato e borboletas

Gato e borboletas

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Adeus ano velho, Feliz Ano Novo!!!



2014 termina com um esboço

aquarela que corre suave pelo papel

passos que explodem
por todas as direções da Rosa dos Ventos

todos se vão felizes

aprendemos que o cordão umbilical
sempre é substituído por algo maior

e ...

"longe é um lugar que não existe"


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mensageiros do Abraço

Muito bom quando alguém nos manda um abraço
Abraço que atravessa oceano
sem perder o aconchego
Abraço que chega não só em palavras
mas nos braços e sorrisos
de conhecidos
há pouco desconhecidos
Quanto um abraço pode ser grande
pode ser muitos
Um abraço que se torna quatro
O amor é realmente fantástico
nem o oceano o deixa longe
e ele é capaz de multiplicar braços

Paixão, Paixões

Sou um ser movido a paixões
Preciso me apaixonar
sempre
muito
E não falo da paixão pela vida
Essa é constante
mesmo quando estamos brigadas
Preciso da paixão dos amantes
que sabemos ter prazo de validade
Até o mel que não o tem
mesmo depois de certo (ou incerto) tempo
perde sua textura tão prazerosa
ao sentirmos escorrer
O que dirá a paixão
quando vermelha
Sim
vermelha
Pois, 
a pela vida é sempre colorida
mesmo nos momentos que insisto em enxergá-la
preto e branco

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Três Motivos


Foto de Virginia Rosa.

São momentos assim que deixa claro a existência de Deus

São momentos assim que sei porque existo

E sigo agradecendo

Fazer-se Ilha


Erupção vulcânica - Arquipélago de Ogasawara - Japão - Kyodo News
(post de José Edward Guedes)

Nesses momentos em que a cabeça ferve
do corpo parece escorrer pura lava

Nada melhor que se fazer ilha
deixar a água boa bater até esfriar

Recolher-se a um silêncio
que nem os Deuses ousam ouvir

Os Deuses sabem respeitar nossos momentos
e deixam o puxão de orelha sempre pra depois


Nutrição



Foto de Gaia Nutri.
(foto de Camô Mila Alquimias)

Nutrir o corpo onde o sonho é sustentado

Sustentar o sonho que pés no chão
transformam em objetivo

Objetivo que traça a caminhada
curvas, pedras, flores, sol forte

Caminhada que é pura surpresa
e todo o deleite de quem não desiste

Deleitar-se no desconhecido
que ora assusta 
e ora se faz ninho
pro descanso que toda caminhada exige




Rosa




Foto de José Edward Guedes.
(post de José Edward Guedes)


Tem  dias que ainda é botão

Momentos que desabrocha em puro charme

Segundos que um assopro a faz murchar

Ora rosa

Ora amarela

Mas sempre Rosa

Pétalas que caem renascendo do pesadelo

Espinhos sempre a postos

Cheiro bom de quem quer viver

Beber da água

Se colorir do sol

Rosa de muitas fases

Buquê de amante

Coroa de funeral

Cama de orvalho ao despertar do dia

Rosa esperando a primavera

Sorriso sempre guardado n'alma


Bons Ventos

Bons ventos trazem chuva fina
que acaricia as folhas
beija com cuidado cada flor
entranha a terra trazendo vida
matando a sede

Bons ventos trazem nomes desconhecidos
que se fazem conhecer
livros que precisam ser lidos
poetas que precisam ser sorvidos
poesia que precisa ser abraçada

Bons ventos levam raiva tentando achegar-se
decepção que não se esperava
dor que não deixamos doer
nomes que já até esquecemos
lugares que o mapa já apagou

Bons ventos levam tempestades pra longe
trazem abraços desconhecidos
sorrisos que só sentimos
cheiro de coisa boa
que ainda não sabemos bem o que é
trazem um "boa noite" que faz a noite ser


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Internet

Hoje venho até aqui pra te agradecer.

Eu sei, eu sei ... vivo te xingando.

Vivo dizendo que navegar nas suas águas é pedir pra se afogar, que essa nuvem computacional só serve pra trazer fortes tempestades, daquelas que só destroem.

Que toda essa parafernália necessária pra que essa nuvem negra aconteça só serve pra entulhar o mundo. Pura poluição.

Eu sei, eu sei ... pego pesado.

Mas hoje venho te agradecer.

Você tem sido ponte. Ponte de caminhos curtos, longos, ponte de encontros.

Tem me trazido abraços que não imaginava.

Tem matado a saudade que sinto de quem está do outro lado do oceano.

Claro que continuo convicta que verdadeiros abraços são feitos de carne. Mas esse entrelace apenas começa por aqui.

Hoje você é chuva de verão, que faz a gente sair correndo pra se deixar molhar. Que dá de beber às plantas. Que afaga o chão e faz subir aquele cheiro de terra molhada do quintal da infância.

Não, hoje não vou te xingar ... rs ... sei ser justa.

Só vim aqui pra te agradecer.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Amor (?)

Tanta música
tantos versos
tantos suspiros
tantas noites acordados
tantas palavras
e a definição não basta

Tanta lágrima
tanta preocupação
tanta culpa
tanto cuidado
tantos braços
e sempre nos faltam os abraços

Tantas provas
que não provam
tantos erros
em acertos
tantas idas
e vindas
sem vindas
tanto caminho e muito cansaço

Tanta espera
tanta falta
tantos soluços
e gargalhadas
tanta história
sem personagens
tanto luto
sem se ter vivido

Pra no fim descobrirmos
que Amor é só silêncio

Ao poeta José Edward Guedes

Poetisa? Não
Poeta
Poeta que não é feminino
nem masculino
Poeta que é tudo
que é todos
Basta ter alma
e todos a temos
Basta rasgá-la e escrever
e tudo é poesia
E assim nascem os versos
e assim corre a vida
Poesia com dor
poesia com alegria
desesperada
velada
chorada
gritada
mas sempre poesia
Poesia com as mãos
com os pés
poesia no olhar
Poesia no silêncio
guardada num peito
necessitando explodir

Vivendo ...

A dor é o cinzel que esculpe a alma
Mas só vale a pena deixar-se rasgar
se a obra for apreciada com um largo sorriso

A alma escreve nossas histórias
com os fios brancos e as rugas
que tão bem nos sabe colocar
Por que querer apagar essas histórias?

Nosso jardim sempre é regado
com as melhores lágrimas
Que começam doídas e,
quando deixamos seguir seu rumo,
é puro prazer

O poeta é tudo,
são todos,
é quem vive de verdade,
é quem acorda se espreguiçando já feliz

Hoje eu acordei amando, mais que nunca,
meus fios prateados,
minhas rugas,
minhas dores,
meu sorriso largo e ...
o resultado de cada lágrima

domingo, 16 de novembro de 2014

Tem isso e tem aquilo

Tem beijo que é só tesão
Tem beijo que é tesão
e prenúncio

Tem cheiro que o vento leva
Tem cheiro que impregna
a lembrança

Tem carne sem tempero
Tem carne que se tempera
no suor do outro

Tem gente que só molha os pés
Tem gente que mergulha fundo
escolhendo não se afogar

Dor sem sofrimento

A dor virá.
Sem dia certo,
mas virá.

Me disseram que sempre dói
Mas sofrer é uma opção.
Opção que não faço.

A dor vai encontrar
um sorriso de canto de boca,
um olhar de quem flutua.

Vai sentir-se deslocada,
procurar um canto,
vai ficar quietinha.



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Voo sem medo não existe

Jogar a toalha,
sem segurar a ponta.

Jogar-se do abismo,
mesmo sem asas.

Se o voo é verdadeiro,
elas crescem ...

... sempre crescem.

Voo sem medo não existe.

Gente não nasce pássaro.

Mas nascem asas ...
onde nascem sonhos.





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Insônia

O único barulho é o da chuva.
E mesmo assim
é quase silêncio.
Até a natureza ficou quieta.
Talvez queira me lembrar que já é hora de dormir.
E nem sei se quero sonhar.
Os olhos ainda não pesam.
Mas não tenho o que olhar.
A paz é mais branca que essa folha de papel.
Não há sono,
nem angústia,
nenhum desespero,
nem tristeza,
nem lágrimas.
Só a chuva molha.
E as flores agradecem.


Ou se vive em paz, ou ...

Ninguém gosta de sofrer.
Mas...
como escrever sem dor?!
Se faltar pena e papel ...
assim mesmo é possível.
Se faltar dor...
faltam palavras.
Poesia não é beijo na testa.
Poesia é ferida aberta no peito.
É angústia incessante.
São lágrimas derramadas
em folhas brancas.

Ou se vive em paz.
Ou se é poeta.

"Alla puttanesca"

Será a falta de palavras
a ferida se curando?

Se for ...

Preciso de um novo poema
lido em voz alta.
De uma noite inteira de conversa
deixando a garganta seca.
De gargalhadas sem precedentes.
De celulares que não tocam.
Filmes em preto e branco.
Violão ao chão.
Pelos de gato.
Alla puttanesca.
Clarice.

Não conto com a tua presença.
Mas necessito de todo o resto.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Acordo

Se acordasses comigo
apenas sentar e contemplar-te,
aceitaria de imediato.

Se,
mais tarde,
acordasses que poderia,
de leve,
te tocar,
de longe eu o faria.

Se o acordo se estendesse
a um leve e solitário beijo,
faria desse momento
todas as palavras
caladas até então.

E...
se diante de tantos acordos,
acordasse em teus braços,
terias entendido.

Eu selaria qualquer acordo
sem mudar uma vírgula,
sem exitar um suspiro.

E acordaria feliz em teus braços,
mesmo sabendo ser a última vez.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Opinião que não pediram



Não é o momento de terem um lugar
Seria um lugar de fuga
E o bom é que seja de descanso
Acredito na qualidade do material que estão juntando
Mas o terreno precisa ser limpo
Acredito que esse material está sendo bem guardado
Livre do que possa deteriorá-lo
Mas ...
alicerces fortes precisam de terreno limpo, preparado
E vocês bem sabem
Essa limpeza requer tempo
E esse tempo não depende de dois
Quando a casa puder começar "do início"
Aí sim, o lugar será de descanso
E não importarão as tempestades

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Vendas e Asas



                                                                                                           (gravura de Raphael Leonardo)

Não sei se fecho meus olhos
para não sentir
aquilo que vocês se recusam a ver
Ou se estou dormindo
esperando o pesadelo passar

Gritar não adianta
a venda também tapa os ouvidos
E vocês só querem falar
E cada palavra
me cai como fel

Mas o tecido é corroído pelo tempo
E mesmo de olhos fechados
já não vou precisar que enxerguem
ou que ouçam

Nesse tempo de casulo
num momento as asas brotam
e eu voo alto
sem vendas
sem amarras
com longas asas

... que a vida pudesse retroceder dez minutos

Num átimo,
a faca crava o coração
com precisão de mestre em anatomia
Ali morrem três

Deus!, faça voltar dez minutos

Corra menina ... corra

Corra até a praia,
grite o mais alto que puder,
arrebente a garganta
Deixe as ondas levarem toda essa angústia
E no movimento de volta lavarem seus pés
como um carinho

Corra e soque um saco de areia,
um "joão bobo"
Soque qualquer coisa
até que toda a sua dor chegue nas extremidades das mãos
e escorra por entre seus dedos
indo pelos bueiros da vida

Depois,
se largue ao chão
Vitruviano de da Vinci
Deixe que a respiração quase se vá
E ali reze
faça do teu silêncio a mais pura oração

A vida nunca retrocede

Menina sem rosto,
de joelhos me ponho e peço por ti 


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Doce espera

Como consegue estar tão presente?
É só um travesseiro que abraço
e fico feliz
É só uma voz dizendo  - bom dia!
e o dia é bom
de verdade
Consigo sentir o gosto doce
desses olhos que não esqueci a cor
Um misto de sensações e emoções
me pegou numa dança cheia de rodopios
De repente ...
tudo parou
e se fez paz
Somente paz
E esperar - que pode ser angustiante -
é só mais um dia feliz


terça-feira, 3 de junho de 2014

Não se preocupe

Não se preocupe,amigo
nenhuma dor me aflige
apenas um pequeno incômodo
que
basta ser poeta
transformamos em dor dilacerante
Uma pequena farpa
e pronto
um punhal atravessa nosso peito
Que bom termos nossas boas e velhas amigas
as palavras
Exorcizamos fantasmas
ou
os criamos
quando a vida parece sem graça

domingo, 1 de junho de 2014

Doença sem cura

Você é,
terminantemente,
uma doença sem cura.
Não queria crer nisso
mas é o que me resta.
Um livro,
um filme,
um quadro ...
e me pego te procurando.
Pergunto
quantas vezes mais
lerei seus poemas,
olharei as mesmas fotos,
os artigos de revista ...
Talvez quando morrer ...
Assim me livro da doença?
Não.
Se morro viro fantasma.
E nem te assombrar
você há de me permitir. 



Atemporal

Por aqui passamos
Passeamos
Tudo no "seu" tempo
Raramente no nosso
O que vivemos
O que olhamos
O que tocamos
Tudo ficou
Ali

Cá num canto perdido
Ou num recanto 
Mas ficou
Levo dentro de mim tudo que a vida me fez sentir
Isso ... ainda não ficou
Mas um dia há de ficar
Quando comigo
Minhas memórias se forem
E um dia
Com aqueles
Que ... hão de ir
Mas enquanto respiramos
As boas lembranças
Dançam no tempo
Ignoram a existência dos ponteiros
E seguem nos resgatando
Nos amparando 
Próximo ao precipício
Nos abraçando
Quando no desespero
Nos fazendo lembrar
Que dez minutos valem mais que 10 anos
Que esse tempo feito de números
É só pra constar

quinta-feira, 8 de maio de 2014

apbp.com.br






















bocas se calam
a arte grita
voa pelos quatro cantos
tintas caminham nas telas
contando histórias coloridas
braços se fazem asas
de voos além do céu

Construção

o amontoado de pedras
os tijolos espalhados
deixam de ser obstáculos
e o caminho passa a existir
e o alicerce se faz firme
pronto pra receber
quantos andares
a história precisar construir

o telhado é de vidro
mas é pra deixar a luz entrar