Gato e borboletas

Gato e borboletas

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz 2012 ...!!!

O dia tá quase acabando
Pra 2011, apenas dois
Dizem que ano que vem
é o fim do Mundo
Espero que desse mundo:

Onde amor não tem vez
é démodé

Onde olhar pra uma criança na rua
magrinha
maltrapilha
não faz perder o rumo nem o prumo
a vida segue
sem culpas
sem neuras
sem responsabilidades

Onde discursos inflamados
têm vez e hora
e nunca passam de palavras
que outubro leva

Onde seca e inundação
são resolvidas
com doações que nunca chegam
(na próxima estação tem mais)

Onde corrupção
é apenas manchete de jornal
e não um mal a ser curado

Onde Deus é leiloado
e Senhor de preconceito e segregação

Que seja o fim.

E o começo
de toda a liberdade
que nos permitirá
sermos imagem e semelhança
do Deus
que em nós habita
e que de nós só espera
a FÉ

Feliz 2012 ..!!!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Fim do Dia Tão Esperado (que acabe)

Aprendi muito nesses longos anos doídos.
Valeram à pena.
Aprendi a não jogar purpurina naquilo que perdeu o brilho.
Nem avivar cores desbotadas.
Nem tentar enxergá-las no que já se tornou preto e branco.
Procurar o sol em plena tempestade é esforço em vão.
A tempestade vai passar, é só esperar.
Querer mergulhar no mar revolto não me parece uma ideia sensata.
Existem praias mais calmas, vamos até elas.
Acreditar em tudo que ouvimos em noite natalina
é ingenuidade que não nos cabe mais.
Melhor olhar os outros como realmente são.
Ter plena consciência dos fatos.
Não se deixar levar por lágrimas ensaiadas.
Cada gota é programada para tal ocasião. 
Ainda bem que o dia está acabando.
Quero a sinceridade sobrevivente.
Essa que não tem data.
Que não precisa de ensaio.
Que chega num sorriso sem embrulhos.
Eu sei em que olhos encontrá-la.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Estranha Solidão

         
          Essas redes sociais só me deixam claro o quanto vivo só. Tenho hoje registrado mais de 50 pessoas, que pra mim é como o Maracanã em dia de Fla x Flu.
          Se quiser conversar com alguém agora, não há. Não há ninguém. Pois esse enorme número não condiz com o que vivo, com o que tenho. Uma amiga tá no Rio, que pra mim é muito distante, e temos ritmos bem diferentes. Outra é casada, tem seu negócio que a ocupa principalmente nos fins de semana. E a que está mais próxima é cheia de amigos, colegas, tem sempre com quem sair.
          Eu nunca saio. Eu gosto de ficar só, gosto de ouvir o silêncio. Me irrito quando o telefone toca, e ele raramente toca, num momento em que estou entregue às minhas leituras. Mas tem uns dias, são poucos, devo reconhecer, uns três por mês, talvez, que me sinto tão sozinha. Eu sei que isso passa. E logo volto a contemplar o silêncio da minha existência.
          Há muito tempo não me sinto cansada de viver. Mas hoje tá pesando. Aquela velha vontade de morrer por uns instantes, talvez semanas. Hoje queria morrer e só ressuscitar depois do carnaval. Depois dessa devastação chamada turistas passar. A cidade fica cheia, lotada. Gente falando muito alto, gente que bebe o dia inteiro, músicas da pior espécie e tocando bem alto, somos obrigados a dividir o fraco gosto.
          Fiz das palavras minhas amigas. Essas estão sempre aqui, sempre que preciso. Nunca me faltam. Essa talvez seja minha salvação. Nelas eu morro e vivo quando necessito. Me desespero sem perder o prumo. Corro desesperada e não me perco nunca. Grito de dor e ela se esvai.
         Me contradigo e ninguém reclama. Comecei falando de estar me sentindo só e logo depois reclamo do mundo de gente que está por invadir a cidade onde moro. Mas ... as palavras me entendem, não reclamam, me deixam desabafar sempre que preciso. Cuidam de mim não permitindo que me sufoque em possíveis contrapontos, momentâneos. Eu sigo uma reta, tortuosa ... rs, mas uma reta.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Convite da Natureza

Não vou correr da chuva
Os pingos caem doces e suaves
refrescando meu coração
deixando a alma leve
As flores se abrem
frente aos meus olhos
O colorido me conta novidades
Segredos
para os corações amargos
O arco-íris 
leque varrendo tristezas
A grama úmida
se oferece em cama macia
Descanso para os que
cansados de tanta dor
se rendem às novas cores
Sono embalado
pelo canto dos pássaros
que em sutil revoada
dizem baixinho
que também podemos voar

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A cor que gosto

Ébano que me persegue
Fui camuflada nessa pele branca
nessa mecha que escorre a testa
Mas o batuque me descobre
faz a ginga aparecer
Saia que me abraça
num redemoinho de desejos
Senzala de reis destronados
que nunca perdem a majestade

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Natal às Avessas

Esse ano
todo esse pisca-pisca
não está fazendo sentido
Só consegui me pegar indagando
o quanto esse desperdício
de energia
significa
Não vi sentido
não consegui achar bonito
Olhar aquele senhor de barba
me deixou irritada
indignada
Não por ele
mas pelo o que o fizeram
representar
Não quero ficar acordada
esperando
Esperando o quê?
Procuro trazer comigo
nos 365 dias do ano
um espírito natalino
Não quero
mais uma vez
compactuar com essa noite
que
nesse momento
me parece tão ilógica
Quero fazer coisas boas
quero ser boa
sempre que conseguir
E pra isso
preciso das 365 noites
quando
antes de dormir
analiso meu dia
tudo que pode continuar
tudo que precisa ser exorcizado
tudo que ainda falta

Solidão

Não entendem
Mas é uma necessidade latente
Preciso
Preciso em muitos momentos
estar só com minha respiração
Um pingo de chuva incomoda
Mas assim que exorcizo
toda essa irritação
a chuva se faz música
Ouvi-la sem a menor interrupção
é o mais inebriante concerto
Peço silêncio aos meus pensamentos
Que eles se emudeçam por alguns instantes
Estão irritantes por demais
Eu estou irritada
Deixem-me a sós com minha solidão
Ela é o abraço
onde me perco
sem medos
sem culpas
sem olhos
apneia que não termina

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Coração Vazio

"Cabeça vazia
oficina do diabo."
E: coração vazio?
Oficina de quem?
Acho que
de inúmeras possibilidades
perdidas na dor
da última paixão.
Então ...
que nos apaixonemos!
Sempre!
Não há
outra solução.

Demônios do Poeta

Em todo poeta
habita um demônio
... ou vários
Alguns exorcizamos
nas infindáveis palavras
Outros
com elas se fortalecem
A esses
só nos resta
a rendição

A Goiabeira

Seu tronco se retorce
Como num abraço
de si
Sem precisar de mais nada
de mais ninguém
Esse abraço se desfaz num redemoinho
onde larga os galhos
se abrindo aos céus
Respirando profundamente ...
Rendendo-se ao peso
das frutas
que começam a surgir
De tudo ao redor
só por você
minhas lágrimas serão derramadas

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Teu Silêncio

... e tudo virou silêncio
Um silêncio gritante
que rasga meu peito
Um silêncio
que
por um instante
me deixa perdida
onde tudo é breu
Quero gritar
mas sei que não adianta
Teu silêncio é surdo
e ensurdecedor
Minh'alma de joelhos
clama por uma palavra
Me calo
Mas tua voz
são meus ouvidos
Tua música não cessa
Sempre a me inundar
E você não diz nada