Gato e borboletas

Gato e borboletas

domingo, 23 de junho de 2013

Domingo e Solidão

Esse dia deixa claro minha condição
Não tenho pra onde fugir
Não ficaram amigos de infância
Nem os que conheci na faculdade
Têm alguns anjos 
São mais que amigos
Que Deus mandou pra que eu não enlouquecesse
Eles estão perto
Mas não o suficiente
Eles têm vida própria
E eu ...
Ainda não aprendi a viver
Domingo é um dia de encontros
Eu só encontro comigo
E há vezes que eu não me basto
Tenho medo que essas vezes virem muitas
Sinto falta do que não houve
Sinto falta do que não acontece
Fico pensando o que me faltou aprender
É cada vez mais difícil sair
É cada vez mais difícil respirar
Fico pensando o que me resta
Já não caminho, me arrasto
Cinco minutos me cansam
E quantos muitos ainda me esperam
Mas já se foi metade desse dia
E eu nem sei como morrer

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Namorado Ideal

Uma amiga me perguntou o que eu esperava de uma relação (falávamos de namorado).

Ela sabe o quanto somos amigas, confidentes, cúmplices, o quanto respeitamos nossas divergências.

O quanto sentimos prazer nas horas e horas de conversa sobre filmes, livros, poesia, filosofia, música.

As noites jogando buraco, jogo das palavras (um jogo de tabuleiro muito interessante) ou, simplesmente rindo à toa.

E também sabe que tenho esse tipo de relação com mais duas ou três pessoas.

Bem ... eu disse que queria isso tudo que tenho com esses pouquíssimos amigos ... porém ... regado a beijos na boca e bom sexo ... rsrsrs

domingo, 9 de junho de 2013

Dias de Domingo

Ontem parecia domingo.

Depois que me dei conta de que era porque estávamos todos juntos desde que o Lucca (filho da minha irmã Isabela) nasceu.

Davi (filho do meu irmão Rodolfo)  amanheceu aqui, o que é uma alegria. Gigante já acorda rindo e fazendo muita bagunça.

Depois do café fui fazer o que as Tias fazem, joguei bola, brinquei de massinha, descemos pra olhar os jabutis. Depois subimos e a brincadeira continuou com aquele monte de carrinhos.

Daqui a pouco ouvimos aquela vozinha inconfundível: Davi, olha quem chegou!!!

Davi corre pra varanda e começa a pular de alegria gritando sem parar: Gogó, Aquel chegô!!! (traduzindo: Vovó, Raquel chegou!!!) Raquel é a filha mais velha da minha irmã Isabela.

Lucca chegou aninhadinho em seu bebê-conforto, empunhado pelo orgulhoso papai Sppencer. Isabela chegou mais devagar, afinal, pariu não tem nem 20 dias e, agora é que estamos respirando 100% tranquilos depois do susto que Lucca nos deu.

Esse nem quer saber de nada, chegou dormindo e assim ficou por um bom tempo.

Davi ainda não se conforma, o chama pra brincar e não obtém resposta: - Uquinha  piguixoso! (traduzindo: Luquinha preguiçoso!)

Mas o preguiçoso acorda quando a fome bate. Agarra com propriedade o peito de sua mãe, mama, mama e ... bem, depois do almoço nada melhor que um cochilo ... rs

Após a sesta Lucca resolve acordar pra conversarmos um pouquinho. Ele adora falar com suas coloridas meias e fica nos olhando com aquela conversa silenciosa cheia de caras e bocas que só os bebês sabem.

O dia passa com todos aqueles acontecimentos de uma casa repleta de filhos e netos: brinquedos por todos os cantos, muito falatório (e Lucca dormindo ...), as brigas entre primos (nada diferente das entre irmãos). Afinal, ainda há uma distância entre as brincadeiras de uma menina de quase 7 e um menino de 2. 

Mas ... se  um deles é chamado à atenção, aí a briga termina e é união total, como aconteceu nessa cena: Raquel não queria emprestar uma canetinha pra Davi alegando que ele ainda não tem idade pra isso. Ele prontamente agarrou-se ao objeto sem querer larga-lo de jeito nenhum. Minha irmã interveio: - Raquel, se não se comportar, vamos pra casa! Davi não ficou quieto. Correu até a Tia e disse, com aquele peitinho estufado de quando fica zangado: Não!!!

Problema resolvido, e a tarde correu com mais brincadeiras e algumas poucas desavenças ... rs

Na casa da minha mãe qualquer dia tem cara de domingo. Pois Dona Lídia está sempre lá com seu sorrisão, tem sempre um filho dizendo "bom dia!", a gargalhada doce de um neto e a certeza de que estaremos sempre juntos!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Discurso Adulto

Porque deixamos pra trás a sabedoria de criança?
A simplicidade com que enxergam o mundo?
A facilidade de expressarem vontades e sentimentos?

Hoje ficamos dando voltas.
Quando seria tão fácil chegar e falar oi.
E continuar a conversa.

Nos revestimos de trejeitos.
Palavras tangenciadas quase veladas.
Falamos, falamos ... e nunca dizemos nada.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Adeus Goiabeira

Passei por lá
no lugar da casa
um amontoado de tijolos
Ainda se podia ver
as poucas folhas da goiabeira
Doeu o coração 
saber que a próxima seria ela

Passei por lá
Havia apenas o tereno
como há 30 anos
Nada dos tijolos ao chão
nada da goiabeira

Não tem mais lugar pros ninhos
Não tem mais goiaba doce
Não tem mais o galho 
grosso pro balanço
Não tem mais sombra
pra conversar

E eu nem a abracei

Voar ...

... me deixe voar
longe
alto
desajeitada

... me deixe apenas sentir o vento
frio
quente
forte

... me deixe ir sem norte
pra lá
pra cá
pra ninguém

quero apenas 
abrir as asas
fechar os olhos

voar ...


(sem compromisso)

Incorremos no erro de pegarmos uma expressão e colocar sobre ela o peso de apenas um dos seus inúmeros significados. 

Nossa língua é riquíssima, chega a ser um pecado restringir o uso das palavras por conta dessa pobreza semântica.

Me perguntaram se eu aceitaria um convite pra "conversar (sem compromisso)". 

Impossível.

Achei esse significado bem propício:
"Compromisso: responsabilidade adquirida em virtude de uma afirmação verbal ou escrita, feita por nós mesmos."
- não necessariamente verbal ou escrita, firmamos nossos maiores compromissos em nossas silenciosas orações.

Se aceitar sair pra conversar ... bem ...

Estarei firmando um "compromisso" de estar pronta na hora certa.

Estarei comprometida com o fato de querer que o tempo que ela dure seja agradável.

Seja qual for o assunto que conversemos o meu compromisso será manter-me veraz. Até porque, esse é um compromisso que firmo comigo ao acordar, todos os dias.

Não tem como não me comprometer.

E o meu maior comprometimento é em ser feliz.

Por isso ... será impossível uma "conversa (sem compromisso)". 

Palavras

Não acredito nas palavras ditas a esmo
o vento as leva
Nem naquelas presas ao papel
pois podemos atear fogo
Creio na verdade
das palavras ditas no silêncio
de um entrelaçar de dedos
São sussurros carregados na lembrança