Gato e borboletas

Gato e borboletas

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Natal na Casa da Vó

          Aquela sempre foi uma época mágica.
         E o dia tão esperado sublimava-se no fato que, naquele momento, reforçávamos tudo de bom em que acreditávamos para os próximos 364 dias. Natal na casa da Vó era isso.
          Bem ... acho que Natal verdadeiro é isso.
          Claro que haviam todos os adornos que o velho costume cristalizou.
          Eu escrevia cartinhas pro Papai Noel, a minha e as do Dô e do Di. Eles eram pequenos demais para assim fazê-lo. Os coloridos envelopes eram colocados na árvore e... um dia, como num passe de mágica (essas mágicas que mães e vós são mestres em fazer), o Bom Velhinho passava e as pegava. A certeza do presente nos enchia o coração!
          A árvore. Uns anos fazíamos de galhos secos e muito algodão, depois havia uma prateada. Um pouco carnavalesca, mas a amava mesmo assim. Ficava linda com as bolas azuis.
          Bem ... o grande dia chegava - 24 de Dezembro - véspera do Natal.
          A cozinha era um reboliço, isso sempre era, mas ... nessa época ficava mais intenso. O cheiro das carnes assando percorria toda a casa e escapava pela janela, atiçando o paladar dos que no quintal estavam.
          Os figos cristalizados eram os mais esperados. A fruta era colhida num pezinho no próprio quintal. A vó os cozinhava numa calda de açúcar, depois os escorria e então eram recheados, uns com doce de leite, outros com coco. Depois de passados no açúcar eram colocados pra secar. Pronto, a alquimia digna de qualquer divina cozinheira estava feita. A vó era uma divina cozinheira!
          A árvore ficava na sala principal, que era separada da sala onde delicioso banquete seria montado, por uma imponente porta vermelha. Não sei porque, mas sempre amei aquela porta. Por volta das 22:00 a imponente era fechada, e agora, adentrar aquele recinto mágico só depois da meia-noite.
          Momento desesperador, pois nós - eu, Dô e Di - sempre tentávamos um jeito de sermos esquecidos por lá. Os refúgios eram os mais diversos: atrás das cortinas, debaixo das camas ou dentro de algum móvel que acomodasse, mesmo que apertado, nossos corpinhos. Não tinha jeito, tal trapaça já era velha conhecida da mãe e da Zazá, que nos punham pra correr.
          Meia-noite. O milagre acontecera. Passávamos por aquela vermelhidão certos dos presentes. Lá estavam, lindos embrulhos que exalavam todo o amor no qual fomos criados.
          Passados os anos, descobri que não era Papai Noel quem nos trazia os belos pacotes. Talvez eu tenha ficado mais complacente ao elaborar minha lista.
          Pior seria se algum desacreditado (essa espécie nos ronda) tivesse me dito que Papai Noel não existe.
          Mas ele continua vindo. E sempre virá! 

2 comentários:

  1. Que pena que Natais assim estão acabando!!!!! Estão tirando das crianças o direito de sonhar.Essa é uma forma linda de mostrar que o carinho,simplicidade e muito muito amor ficam para sempre em nossos corações

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  2. Vc escreveu muito bem!! Viajei nesse quintal....q delicia!

    Referente ao outro post....

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