Um pouco do que fui e do que pensei ser; um pouco do que sou e do que quero ser; um pouco do pouquinho que te deixo ver.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Soneto da Tranquila Saudade
Tranquila saudade carrega o peito
Dor que aconchega e não faz sofrer
Saudade que acaba só no leito
De beijo azul fazendo-a fenecer
Tranquila saudade rasgando a boca
Sorriso nos lábios com gosto teu
Frenesi apertando o peito da moça
Azul que colore tudo que é meu
Amor de Rosa deixado de lado
Sempre guardado velando lembrança
Perdido num peito ainda criança
Saudade azul de mar ondulado
Mar que me leva sem nem perguntar
Infindo azul me levando a amar
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Teus Olhos
Mergulho nesse mar tranquilo
me deixando levar
Céu de brigadeiro
onde todo voo é possível
Brisa soprando
na temperatura certa
que os amantes necessitam
Braços que se fazem ninho
acolhendo o pássaro de asa quebrada
sábado, 10 de janeiro de 2015
Solidão que dói
Sempre gostei da solidão.
Mas agora dói.
Tem doído bastante.
Não precisava ser o tempo todo.
Todos os dias.
Todo o sempre.
As pessoas escorregam
como chuva no boeiro.
Sem deixar rastros.
Nem lembranças.
Nem saudades.
Queria ir pra longe.
Começar de novo.
Mas não se faz um amigo de infância
depois dos quarenta.
Nem sei mais como se faz um amigo.
Tem que acontecer.
Mas ... como?
A voz da TV é pra quebrar o silêncio.
Ele fere.
Mas agora dói.
Tem doído bastante.
Não precisava ser o tempo todo.
Todos os dias.
Todo o sempre.
As pessoas escorregam
como chuva no boeiro.
Sem deixar rastros.
Nem lembranças.
Nem saudades.
Queria ir pra longe.
Começar de novo.
Mas não se faz um amigo de infância
depois dos quarenta.
Nem sei mais como se faz um amigo.
Tem que acontecer.
Mas ... como?
A voz da TV é pra quebrar o silêncio.
Ele fere.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Adeus ano velho, Feliz Ano Novo!!!
2014 termina com um esboço
aquarela que corre suave pelo papel
passos que explodem
por todas as direções da Rosa dos Ventos
todos se vão felizes
aprendemos que o cordão umbilical
sempre é substituído por algo maior
e ...
"longe é um lugar que não existe"
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Mensageiros do Abraço
Muito bom quando alguém nos manda um abraço
Abraço que atravessa oceano
sem perder o aconchego
Abraço que chega não só em palavras
mas nos braços e sorrisos
de conhecidos
há pouco desconhecidos
Quanto um abraço pode ser grande
pode ser muitos
Um abraço que se torna quatro
O amor é realmente fantástico
nem o oceano o deixa longe
e ele é capaz de multiplicar braços
Abraço que atravessa oceano
sem perder o aconchego
Abraço que chega não só em palavras
mas nos braços e sorrisos
de conhecidos
há pouco desconhecidos
Quanto um abraço pode ser grande
pode ser muitos
Um abraço que se torna quatro
O amor é realmente fantástico
nem o oceano o deixa longe
e ele é capaz de multiplicar braços
Paixão, Paixões
Sou um ser movido a paixões
Preciso me apaixonar
sempre
muito
E não falo da paixão pela vida
Essa é constante
mesmo quando estamos brigadas
Preciso da paixão dos amantes
que sabemos ter prazo de validade
Até o mel que não o tem
mesmo depois de certo (ou incerto) tempo
perde sua textura tão prazerosa
ao sentirmos escorrer
O que dirá a paixão
quando vermelha
Sim
vermelha
Pois,
a pela vida é sempre colorida
mesmo nos momentos que insisto em enxergá-la
preto e branco
Preciso me apaixonar
sempre
muito
E não falo da paixão pela vida
Essa é constante
mesmo quando estamos brigadas
Preciso da paixão dos amantes
que sabemos ter prazo de validade
Até o mel que não o tem
mesmo depois de certo (ou incerto) tempo
perde sua textura tão prazerosa
ao sentirmos escorrer
O que dirá a paixão
quando vermelha
Sim
vermelha
Pois,
a pela vida é sempre colorida
mesmo nos momentos que insisto em enxergá-la
preto e branco
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Três Motivos

São momentos assim que deixa claro a existência de Deus
São momentos assim que sei porque existo
E sigo agradecendo
Fazer-se Ilha

(post de José Edward Guedes)
Nesses momentos em que a cabeça ferve
do corpo parece escorrer pura lava
Nada melhor que se fazer ilha
deixar a água boa bater até esfriar
Recolher-se a um silêncio
que nem os Deuses ousam ouvir
Os Deuses sabem respeitar nossos momentos
e deixam o puxão de orelha sempre pra depois
Nutrição

(foto de Camô Mila Alquimias)
Nutrir o corpo onde o sonho é sustentado
Sustentar o sonho que pés no chão
transformam em objetivo
Objetivo que traça a caminhada
curvas, pedras, flores, sol forte
Caminhada que é pura surpresa
e todo o deleite de quem não desiste
Deleitar-se no desconhecido
que ora assusta
e ora se faz ninho
pro descanso que toda caminhada exige
Rosa
(post de José Edward Guedes)
Tem dias que ainda é botão
Momentos que desabrocha em puro charme
Segundos que um assopro a faz murchar
Ora rosa
Ora amarela
Mas sempre Rosa
Pétalas que caem renascendo do pesadelo
Espinhos sempre a postos
Cheiro bom de quem quer viver
Beber da água
Se colorir do sol
Rosa de muitas fases
Buquê de amante
Coroa de funeral
Cama de orvalho ao despertar do dia
Rosa esperando a primavera
Sorriso sempre guardado n'alma
Bons Ventos
Bons ventos trazem chuva fina
que acaricia as folhas
beija com cuidado cada flor
entranha a terra trazendo vida
matando a sede
Bons ventos trazem nomes desconhecidos
que se fazem conhecer
livros que precisam ser lidos
poetas que precisam ser sorvidos
poesia que precisa ser abraçada
Bons ventos levam raiva tentando achegar-se
decepção que não se esperava
dor que não deixamos doer
nomes que já até esquecemos
lugares que o mapa já apagou
Bons ventos levam tempestades pra longe
trazem abraços desconhecidos
sorrisos que só sentimos
cheiro de coisa boa
que ainda não sabemos bem o que é
trazem um "boa noite" que faz a noite ser
que acaricia as folhas
beija com cuidado cada flor
entranha a terra trazendo vida
matando a sede
Bons ventos trazem nomes desconhecidos
que se fazem conhecer
livros que precisam ser lidos
poetas que precisam ser sorvidos
poesia que precisa ser abraçada
Bons ventos levam raiva tentando achegar-se
decepção que não se esperava
dor que não deixamos doer
nomes que já até esquecemos
lugares que o mapa já apagou
Bons ventos levam tempestades pra longe
trazem abraços desconhecidos
sorrisos que só sentimos
cheiro de coisa boa
que ainda não sabemos bem o que é
trazem um "boa noite" que faz a noite ser
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Internet
Hoje venho até aqui pra te agradecer.
Eu sei, eu sei ... vivo te xingando.
Vivo dizendo que navegar nas suas águas é pedir pra se afogar, que essa nuvem computacional só serve pra trazer fortes tempestades, daquelas que só destroem.
Que toda essa parafernália necessária pra que essa nuvem negra aconteça só serve pra entulhar o mundo. Pura poluição.
Eu sei, eu sei ... pego pesado.
Mas hoje venho te agradecer.
Você tem sido ponte. Ponte de caminhos curtos, longos, ponte de encontros.
Tem me trazido abraços que não imaginava.
Tem matado a saudade que sinto de quem está do outro lado do oceano.
Claro que continuo convicta que verdadeiros abraços são feitos de carne. Mas esse entrelace apenas começa por aqui.
Hoje você é chuva de verão, que faz a gente sair correndo pra se deixar molhar. Que dá de beber às plantas. Que afaga o chão e faz subir aquele cheiro de terra molhada do quintal da infância.
Não, hoje não vou te xingar ... rs ... sei ser justa.
Só vim aqui pra te agradecer.
Eu sei, eu sei ... pego pesado.
Mas hoje venho te agradecer.
Você tem sido ponte. Ponte de caminhos curtos, longos, ponte de encontros.
Tem me trazido abraços que não imaginava.
Tem matado a saudade que sinto de quem está do outro lado do oceano.
Claro que continuo convicta que verdadeiros abraços são feitos de carne. Mas esse entrelace apenas começa por aqui.
Hoje você é chuva de verão, que faz a gente sair correndo pra se deixar molhar. Que dá de beber às plantas. Que afaga o chão e faz subir aquele cheiro de terra molhada do quintal da infância.
Não, hoje não vou te xingar ... rs ... sei ser justa.
Só vim aqui pra te agradecer.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Amor (?)
Tanta música
tantos versos
tantos suspiros
tantas noites acordados
tantas palavras
e a definição não basta
Tanta lágrima
tanta preocupação
tanta culpa
tanto cuidado
tantos braços
e sempre nos faltam os abraços
Tantas provas
que não provam
tantos erros
em acertos
tantas idas
e vindas
sem vindas
tanto caminho e muito cansaço
Tanta espera
tanta falta
tantos soluços
e gargalhadas
tanta história
sem personagens
tanto luto
sem se ter vivido
Pra no fim descobrirmos
que Amor é só silêncio
tantos versos
tantos suspiros
tantas noites acordados
tantas palavras
e a definição não basta
Tanta lágrima
tanta preocupação
tanta culpa
tanto cuidado
tantos braços
e sempre nos faltam os abraços
Tantas provas
que não provam
tantos erros
em acertos
tantas idas
e vindas
sem vindas
tanto caminho e muito cansaço
Tanta espera
tanta falta
tantos soluços
e gargalhadas
tanta história
sem personagens
tanto luto
sem se ter vivido
Pra no fim descobrirmos
que Amor é só silêncio
Ao poeta José Edward Guedes
Poetisa? Não
Poeta
Poeta que não é feminino
nem masculino
Poeta que é tudo
que é todos
Basta ter alma
e todos a temos
Basta rasgá-la e escrever
e tudo é poesia
E assim nascem os versos
e assim corre a vida
Poesia com dor
poesia com alegria
desesperada
velada
chorada
gritada
mas sempre poesia
Poesia com as mãos
com os pés
poesia no olhar
Poesia no silêncio
guardada num peito
necessitando explodir
Poeta
Poeta que não é feminino
nem masculino
Poeta que é tudo
que é todos
Basta ter alma
e todos a temos
Basta rasgá-la e escrever
e tudo é poesia
E assim nascem os versos
e assim corre a vida
Poesia com dor
poesia com alegria
desesperada
velada
chorada
gritada
mas sempre poesia
Poesia com as mãos
com os pés
poesia no olhar
Poesia no silêncio
guardada num peito
necessitando explodir
Vivendo ...
A dor é o cinzel que esculpe a alma
Mas só vale a pena deixar-se rasgar
se a obra for apreciada com um largo sorriso
A alma escreve nossas histórias
com os fios brancos e as rugas
que tão bem nos sabe colocar
Por que querer apagar essas histórias?
Nosso jardim sempre é regado
com as melhores lágrimas
Que começam doídas e,
quando deixamos seguir seu rumo,
é puro prazer
O poeta é tudo,
são todos,
é quem vive de verdade,
é quem acorda se espreguiçando já feliz
Hoje eu acordei amando, mais que nunca,
meus fios prateados,
minhas rugas,
minhas dores,
meu sorriso largo e ...
o resultado de cada lágrima
Mas só vale a pena deixar-se rasgar
se a obra for apreciada com um largo sorriso
A alma escreve nossas histórias
com os fios brancos e as rugas
que tão bem nos sabe colocar
Por que querer apagar essas histórias?
Nosso jardim sempre é regado
com as melhores lágrimas
Que começam doídas e,
quando deixamos seguir seu rumo,
é puro prazer
O poeta é tudo,
são todos,
é quem vive de verdade,
é quem acorda se espreguiçando já feliz
Hoje eu acordei amando, mais que nunca,
meus fios prateados,
minhas rugas,
minhas dores,
meu sorriso largo e ...
o resultado de cada lágrima
domingo, 16 de novembro de 2014
Tem isso e tem aquilo
Tem beijo que é só tesão
Tem beijo que é tesão
e prenúncio
Tem cheiro que o vento leva
Tem cheiro que impregna
a lembrança
Tem carne sem tempero
Tem carne que se tempera
no suor do outro
Tem gente que só molha os pés
Tem gente que mergulha fundo
escolhendo não se afogar
Tem beijo que é tesão
e prenúncio
Tem cheiro que o vento leva
Tem cheiro que impregna
a lembrança
Tem carne sem tempero
Tem carne que se tempera
no suor do outro
Tem gente que só molha os pés
Tem gente que mergulha fundo
escolhendo não se afogar
Dor sem sofrimento
A dor virá.
Sem dia certo,
mas virá.
Me disseram que sempre dói
Mas sofrer é uma opção.
Opção que não faço.
A dor vai encontrar
um sorriso de canto de boca,
um olhar de quem flutua.
Vai sentir-se deslocada,
procurar um canto,
vai ficar quietinha.
Sem dia certo,
mas virá.
Me disseram que sempre dói
Mas sofrer é uma opção.
Opção que não faço.
A dor vai encontrar
um sorriso de canto de boca,
um olhar de quem flutua.
Vai sentir-se deslocada,
procurar um canto,
vai ficar quietinha.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Voo sem medo não existe
Jogar a toalha,
sem segurar a ponta.
Jogar-se do abismo,
mesmo sem asas.
Se o voo é verdadeiro,
elas crescem ...
... sempre crescem.
Voo sem medo não existe.
Gente não nasce pássaro.
Mas nascem asas ...
onde nascem sonhos.
sem segurar a ponta.
Jogar-se do abismo,
mesmo sem asas.
Se o voo é verdadeiro,
elas crescem ...
... sempre crescem.
Voo sem medo não existe.
Gente não nasce pássaro.
Mas nascem asas ...
onde nascem sonhos.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Insônia
O único barulho é o da chuva.
E mesmo assim
é quase silêncio.
Até a natureza ficou quieta.
Talvez queira me lembrar que já é hora de dormir.
E nem sei se quero sonhar.
Os olhos ainda não pesam.
Mas não tenho o que olhar.
A paz é mais branca que essa folha de papel.
Não há sono,
nem angústia,
nenhum desespero,
nem tristeza,
nem lágrimas.
Só a chuva molha.
E as flores agradecem.
E mesmo assim
é quase silêncio.
Até a natureza ficou quieta.
Talvez queira me lembrar que já é hora de dormir.
E nem sei se quero sonhar.
Os olhos ainda não pesam.
Mas não tenho o que olhar.
A paz é mais branca que essa folha de papel.
Não há sono,
nem angústia,
nenhum desespero,
nem tristeza,
nem lágrimas.
Só a chuva molha.
E as flores agradecem.
Ou se vive em paz, ou ...
Ninguém gosta de sofrer.
Mas...
como escrever sem dor?!
Se faltar pena e papel ...
assim mesmo é possível.
Se faltar dor...
faltam palavras.
Poesia não é beijo na testa.
Poesia é ferida aberta no peito.
É angústia incessante.
São lágrimas derramadas
em folhas brancas.
Ou se vive em paz.
Ou se é poeta.
Mas...
como escrever sem dor?!
Se faltar pena e papel ...
assim mesmo é possível.
Se faltar dor...
faltam palavras.
Poesia não é beijo na testa.
Poesia é ferida aberta no peito.
É angústia incessante.
São lágrimas derramadas
em folhas brancas.
Ou se vive em paz.
Ou se é poeta.
"Alla puttanesca"
Será a falta de palavras
a ferida se curando?
Se for ...
Preciso de um novo poema
lido em voz alta.
De uma noite inteira de conversa
deixando a garganta seca.
De gargalhadas sem precedentes.
De celulares que não tocam.
Filmes em preto e branco.
Violão ao chão.
Pelos de gato.
Alla puttanesca.
Clarice.
Não conto com a tua presença.
Mas necessito de todo o resto.
a ferida se curando?
Se for ...
Preciso de um novo poema
lido em voz alta.
De uma noite inteira de conversa
deixando a garganta seca.
De gargalhadas sem precedentes.
De celulares que não tocam.
Filmes em preto e branco.
Violão ao chão.
Pelos de gato.
Alla puttanesca.
Clarice.
Não conto com a tua presença.
Mas necessito de todo o resto.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Acordo
Se acordasses comigo
apenas sentar e contemplar-te,
aceitaria de imediato.
Se,
mais tarde,
acordasses que poderia,
de leve,
te tocar,
de longe eu o faria.
Se o acordo se estendesse
a um leve e solitário beijo,
faria desse momento
todas as palavras
caladas até então.
E...
se diante de tantos acordos,
acordasse em teus braços,
terias entendido.
Eu selaria qualquer acordo
sem mudar uma vírgula,
sem exitar um suspiro.
E acordaria feliz em teus braços,
mesmo sabendo ser a última vez.
apenas sentar e contemplar-te,
aceitaria de imediato.
Se,
mais tarde,
acordasses que poderia,
de leve,
te tocar,
de longe eu o faria.
Se o acordo se estendesse
a um leve e solitário beijo,
faria desse momento
todas as palavras
caladas até então.
E...
se diante de tantos acordos,
acordasse em teus braços,
terias entendido.
Eu selaria qualquer acordo
sem mudar uma vírgula,
sem exitar um suspiro.
E acordaria feliz em teus braços,
mesmo sabendo ser a última vez.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Opinião que não pediram
Não é o momento de terem um lugar
Seria um lugar de fuga
E o bom é que seja de descanso
Acredito na qualidade do material que estão juntando
Mas o terreno precisa ser limpo
Acredito que esse material está sendo bem guardado
Livre do que possa deteriorá-lo
Mas ...
alicerces fortes precisam de terreno limpo, preparado
E vocês bem sabem
Essa limpeza requer tempo
E esse tempo não depende de dois
Quando a casa puder começar "do início"
Aí sim, o lugar será de descanso
E não importarão as tempestades
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Vendas e Asas
Não sei se fecho meus olhos
para não sentir
aquilo que vocês se recusam a ver
Ou se estou dormindo
esperando o pesadelo passar
Gritar não adianta
a venda também tapa os ouvidos
E vocês só querem falar
E cada palavra
me cai como fel
Mas o tecido é corroído pelo tempo
E mesmo de olhos fechados
já não vou precisar que enxerguem
ou que ouçam
Nesse tempo de casulo
num momento as asas brotam
e eu voo alto
sem vendas
sem amarras
com longas asas
... que a vida pudesse retroceder dez minutos
Num átimo,
a faca crava o coração
com precisão de mestre em anatomia
Ali morrem três
Deus!, faça voltar dez minutos
Corra menina ... corra
Corra até a praia,
grite o mais alto que puder,
arrebente a garganta
Deixe as ondas levarem toda essa angústia
E no movimento de volta lavarem seus pés
como um carinho
Corra e soque um saco de areia,
um "joão bobo"
Soque qualquer coisa
até que toda a sua dor chegue nas extremidades das mãos
e escorra por entre seus dedos
indo pelos bueiros da vida
Depois,
se largue ao chão
Vitruviano de da Vinci
Deixe que a respiração quase se vá
E ali reze
faça do teu silêncio a mais pura oração
A vida nunca retrocede
Menina sem rosto,
de joelhos me ponho e peço por ti
a faca crava o coração
com precisão de mestre em anatomia
Ali morrem três
Deus!, faça voltar dez minutos
Corra menina ... corra
Corra até a praia,
grite o mais alto que puder,
arrebente a garganta
Deixe as ondas levarem toda essa angústia
E no movimento de volta lavarem seus pés
como um carinho
Corra e soque um saco de areia,
um "joão bobo"
Soque qualquer coisa
até que toda a sua dor chegue nas extremidades das mãos
e escorra por entre seus dedos
indo pelos bueiros da vida
Depois,
se largue ao chão
Vitruviano de da Vinci
Deixe que a respiração quase se vá
E ali reze
faça do teu silêncio a mais pura oração
A vida nunca retrocede
Menina sem rosto,
de joelhos me ponho e peço por ti
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Doce espera
Como consegue estar tão presente?
É só um travesseiro que abraço
e fico feliz
É só uma voz dizendo - bom dia!
e o dia é bom
de verdade
Consigo sentir o gosto doce
desses olhos que não esqueci a cor
Um misto de sensações e emoções
me pegou numa dança cheia de rodopios
De repente ...
tudo parou
e se fez paz
Somente paz
E esperar - que pode ser angustiante -
é só mais um dia feliz
É só um travesseiro que abraço
e fico feliz
É só uma voz dizendo - bom dia!
e o dia é bom
de verdade
Consigo sentir o gosto doce
desses olhos que não esqueci a cor
Um misto de sensações e emoções
me pegou numa dança cheia de rodopios
De repente ...
tudo parou
e se fez paz
Somente paz
E esperar - que pode ser angustiante -
é só mais um dia feliz
terça-feira, 3 de junho de 2014
Não se preocupe
Não se preocupe,amigo
nenhuma dor me aflige
apenas um pequeno incômodo
que
basta ser poeta
transformamos em dor dilacerante
Uma pequena farpa
e pronto
um punhal atravessa nosso peito
Que bom termos nossas boas e velhas amigas
as palavras
Exorcizamos fantasmas
ou
os criamos
quando a vida parece sem graça
nenhuma dor me aflige
apenas um pequeno incômodo
que
basta ser poeta
transformamos em dor dilacerante
Uma pequena farpa
e pronto
um punhal atravessa nosso peito
Que bom termos nossas boas e velhas amigas
as palavras
Exorcizamos fantasmas
ou
os criamos
quando a vida parece sem graça
domingo, 1 de junho de 2014
Doença sem cura
Você é,
terminantemente,
uma doença sem cura.
Não queria crer nisso
mas é o que me resta.
Um livro,
um filme,
um quadro ...
e me pego te procurando.
Pergunto
quantas vezes mais
lerei seus poemas,
olharei as mesmas fotos,
os artigos de revista ...
Talvez quando morrer ...
Assim me livro da doença?
Não.
Se morro viro fantasma.
E nem te assombrar
você há de me permitir.
terminantemente,
uma doença sem cura.
Não queria crer nisso
mas é o que me resta.
Um livro,
um filme,
um quadro ...
e me pego te procurando.
Pergunto
quantas vezes mais
lerei seus poemas,
olharei as mesmas fotos,
os artigos de revista ...
Talvez quando morrer ...
Assim me livro da doença?
Não.
Se morro viro fantasma.
E nem te assombrar
você há de me permitir.
Atemporal
Por aqui passamos
Passeamos
Tudo no "seu" tempo
Raramente no nosso
O que vivemos
O que olhamos
O que tocamos
Tudo ficou
Ali
Lá
Cá num canto perdido
Ou num recanto
Mas ficou
Levo dentro de mim tudo que a vida me fez sentir
Isso ... ainda não ficou
Mas um dia há de ficar
Quando comigo
Minhas memórias se forem
E um dia
Com aqueles
Que ... hão de ir
Mas enquanto respiramos
As boas lembranças
Dançam no tempo
Ignoram a existência dos ponteiros
E seguem nos resgatando
Nos amparando
Próximo ao precipício
Nos abraçando
Quando no desespero
Nos fazendo lembrar
Que dez minutos valem mais que 10 anos
Que esse tempo feito de números
É só pra constar
Passeamos
Tudo no "seu" tempo
Raramente no nosso
O que vivemos
O que olhamos
O que tocamos
Tudo ficou
Ali
Lá
Cá num canto perdido
Ou num recanto
Mas ficou
Levo dentro de mim tudo que a vida me fez sentir
Isso ... ainda não ficou
Mas um dia há de ficar
Quando comigo
Minhas memórias se forem
E um dia
Com aqueles
Que ... hão de ir
Mas enquanto respiramos
As boas lembranças
Dançam no tempo
Ignoram a existência dos ponteiros
E seguem nos resgatando
Nos amparando
Próximo ao precipício
Nos abraçando
Quando no desespero
Nos fazendo lembrar
Que dez minutos valem mais que 10 anos
Que esse tempo feito de números
É só pra constar
quinta-feira, 8 de maio de 2014
apbp.com.br
bocas se calam
a arte grita
voa pelos quatro cantos
tintas caminham nas telas
contando histórias coloridas
braços se fazem asas
de voos além do céu
Construção
o amontoado de pedras
os tijolos espalhados
deixam de ser obstáculos
e o caminho passa a existir
e o alicerce se faz firme
pronto pra receber
quantos andares
a história precisar construir
o telhado é de vidro
mas é pra deixar a luz entrar
os tijolos espalhados
deixam de ser obstáculos
e o caminho passa a existir
e o alicerce se faz firme
pronto pra receber
quantos andares
a história precisar construir
o telhado é de vidro
mas é pra deixar a luz entrar
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Dia de Nada
O compromisso de hoje
é não ter compromisso com o por vir
nem com o agora
É não ter culpa por não ter compromisso
e nem pelo que já se foi
É não sentir medo
por escolhas não feitas
e nem pelas erradas
É não querer caminhar, nem correr
sentar-se também é necessário
Hoje é dia de nada
Pra quando amanhã chegar
poder se esvaziar de tudo
não deixando poeira nos cantos
é não ter compromisso com o por vir
nem com o agora
É não ter culpa por não ter compromisso
e nem pelo que já se foi
É não sentir medo
por escolhas não feitas
e nem pelas erradas
É não querer caminhar, nem correr
sentar-se também é necessário
Hoje é dia de nada
Pra quando amanhã chegar
poder se esvaziar de tudo
não deixando poeira nos cantos
Asas que não voam
De tantas asas que tinha
acabou não voando
Se embolaram
... pesaram
E ele ficou inerte
dormindo num ninho de frustrações
Sem travesseiro, edredom
e sonhos
acabou não voando
Se embolaram
... pesaram
E ele ficou inerte
dormindo num ninho de frustrações
Sem travesseiro, edredom
e sonhos
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Bichinho Esquisito
Palavra tem vontade própria
Vai e vem quando bem entende
Ora num rápido passeio
Ora arruma as malas
em dias e dias de ausência
Quando encharcada de emoção
se junta a outra
entrelaçando-se em versos
Quando tudo é calmaria
repousa na solidão
É bichinho esquisito
Quando cansada de tanta vida
corre, corre, perdendo o fôlego
Quando tudo parece tranquilo
se sente sem sentido
e se perde no vazio
Vai e vem quando bem entende
Ora num rápido passeio
Ora arruma as malas
em dias e dias de ausência
Quando encharcada de emoção
se junta a outra
entrelaçando-se em versos
Quando tudo é calmaria
repousa na solidão
É bichinho esquisito
Quando cansada de tanta vida
corre, corre, perdendo o fôlego
Quando tudo parece tranquilo
se sente sem sentido
e se perde no vazio
domingo, 23 de junho de 2013
Domingo e Solidão
Esse dia deixa claro minha condição
Não tenho pra onde fugir
Não ficaram amigos de infância
Nem os que conheci na faculdade
Têm alguns anjos
São mais que amigos
Que Deus mandou pra que eu não enlouquecesse
Eles estão perto
Mas não o suficiente
Eles têm vida própria
E eu ...
Ainda não aprendi a viver
Domingo é um dia de encontros
Eu só encontro comigo
E há vezes que eu não me basto
Tenho medo que essas vezes virem muitas
Sinto falta do que não houve
Sinto falta do que não acontece
Fico pensando o que me faltou aprender
É cada vez mais difícil sair
É cada vez mais difícil respirar
Fico pensando o que me resta
Já não caminho, me arrasto
Cinco minutos me cansam
E quantos muitos ainda me esperam
Mas já se foi metade desse dia
E eu nem sei como morrer
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Namorado Ideal
Uma amiga me perguntou o que eu esperava de uma relação (falávamos de namorado).
Ela sabe o quanto somos amigas, confidentes, cúmplices, o quanto respeitamos nossas divergências.
O quanto sentimos prazer nas horas e horas de conversa sobre filmes, livros, poesia, filosofia, música.
As noites jogando buraco, jogo das palavras (um jogo de tabuleiro muito interessante) ou, simplesmente rindo à toa.
E também sabe que tenho esse tipo de relação com mais duas ou três pessoas.
Bem ... eu disse que queria isso tudo que tenho com esses pouquíssimos amigos ... porém ... regado a beijos na boca e bom sexo ... rsrsrs
domingo, 9 de junho de 2013
Dias de Domingo
Ontem parecia domingo.
Depois que me dei conta de que era porque estávamos todos juntos desde que o Lucca (filho da minha irmã Isabela) nasceu.
Davi (filho do meu irmão Rodolfo) amanheceu aqui, o que é uma alegria. Gigante já acorda rindo e fazendo muita bagunça.
Depois do café fui fazer o que as Tias fazem, joguei bola, brinquei de massinha, descemos pra olhar os jabutis. Depois subimos e a brincadeira continuou com aquele monte de carrinhos.
Daqui a pouco ouvimos aquela vozinha inconfundível: Davi, olha quem chegou!!!
Davi corre pra varanda e começa a pular de alegria gritando sem parar: Gogó, Aquel chegô!!! (traduzindo: Vovó, Raquel chegou!!!) Raquel é a filha mais velha da minha irmã Isabela.
Lucca chegou aninhadinho em seu bebê-conforto, empunhado pelo orgulhoso papai Sppencer. Isabela chegou mais devagar, afinal, pariu não tem nem 20 dias e, agora é que estamos respirando 100% tranquilos depois do susto que Lucca nos deu.
Esse nem quer saber de nada, chegou dormindo e assim ficou por um bom tempo.
Davi ainda não se conforma, o chama pra brincar e não obtém resposta: - Uquinha piguixoso! (traduzindo: Luquinha preguiçoso!)
Mas o preguiçoso acorda quando a fome bate. Agarra com propriedade o peito de sua mãe, mama, mama e ... bem, depois do almoço nada melhor que um cochilo ... rs
Após a sesta Lucca resolve acordar pra conversarmos um pouquinho. Ele adora falar com suas coloridas meias e fica nos olhando com aquela conversa silenciosa cheia de caras e bocas que só os bebês sabem.
O dia passa com todos aqueles acontecimentos de uma casa repleta de filhos e netos: brinquedos por todos os cantos, muito falatório (e Lucca dormindo ...), as brigas entre primos (nada diferente das entre irmãos). Afinal, ainda há uma distância entre as brincadeiras de uma menina de quase 7 e um menino de 2.
Mas ... se um deles é chamado à atenção, aí a briga termina e é união total, como aconteceu nessa cena: Raquel não queria emprestar uma canetinha pra Davi alegando que ele ainda não tem idade pra isso. Ele prontamente agarrou-se ao objeto sem querer larga-lo de jeito nenhum. Minha irmã interveio: - Raquel, se não se comportar, vamos pra casa! Davi não ficou quieto. Correu até a Tia e disse, com aquele peitinho estufado de quando fica zangado: Não!!!
Problema resolvido, e a tarde correu com mais brincadeiras e algumas poucas desavenças ... rs
Na casa da minha mãe qualquer dia tem cara de domingo. Pois Dona Lídia está sempre lá com seu sorrisão, tem sempre um filho dizendo "bom dia!", a gargalhada doce de um neto e a certeza de que estaremos sempre juntos!
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Discurso Adulto
Porque deixamos pra trás a sabedoria de criança?
A simplicidade com que enxergam o mundo?
A facilidade de expressarem vontades e sentimentos?
Hoje ficamos dando voltas.
Quando seria tão fácil chegar e falar oi.
E continuar a conversa.
Nos revestimos de trejeitos.
Palavras tangenciadas quase veladas.
Falamos, falamos ... e nunca dizemos nada.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Adeus Goiabeira
Passei por lá
No lugar da casa
um amontoado de tijolos
Ainda se podia ver
as poucas folhas da goiabeira
Doeu o coração
saber que a próxima seria ela
Passei por lá
Havia apenas o terreno
como há 30 anos
Nada dos tijolos ao chão
nada da goiabeira
Não tem mais lugar pros ninhos
Não tem mais goiaba doce
Não tem mais o galho
grosso pro balanço
Não tem mais sombra
pra conversar
Não tem mais
Miúda dormindo em cima
Nem Sultão dormindo embaixo
Não tem mais
Miúda dormindo em cima
Nem Sultão dormindo embaixo
E eu nem dei o último abraço...
Voar ...
... me deixe voar
longe
alto
desajeitada
... me deixe apenas sentir o vento
frio
quente
forte
... me deixe ir sem norte
pra lá
pra cá
pra ninguém
quero apenas
abrir as asas
fechar os olhos
voar ...
(sem compromisso)
Incorremos no erro de pegarmos uma expressão e colocar sobre ela o peso de apenas um dos seus inúmeros significados.
Nossa língua é riquíssima, chega a ser um pecado restringir o uso das palavras por conta dessa pobreza semântica.
Me perguntaram se eu aceitaria um convite pra "conversar (sem compromisso)".
Impossível.
Achei esse significado bem propício:
"Compromisso: responsabilidade adquirida em virtude de uma afirmação verbal ou escrita, feita por nós mesmos."
- não necessariamente verbal ou escrita, firmamos nossos maiores compromissos em nossas silenciosas orações.
Se aceitar sair pra conversar ... bem ...
Estarei firmando um "compromisso" de estar pronta na hora certa.
Estarei comprometida com o fato de querer que o tempo que ela dure seja agradável.
Seja qual for o assunto que conversemos o meu compromisso será manter-me veraz. Até porque, esse é um compromisso que firmo comigo ao acordar, todos os dias.
Não tem como não me comprometer.
E o meu maior comprometimento é em ser feliz.
Por isso ... será impossível uma "conversa (sem compromisso)".
Palavras
Não acredito nas palavras ditas a esmo
o vento as leva
Nem naquelas presas ao papel
pois podemos atear fogo
Creio na verdade
das palavras ditas no silêncio
de um entrelaçar de dedos
São sussurros carregados na lembrança
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Conselhos do Mar
você me olha
pernas levemente abertas
espalma a mão no chão
me mostrando onde quer que eu sente
aninho-me naquela imensidão
você me aninha em seus braços e pernas
descansa o queixo em meu ombro
beija meu rosto
e ali ficamos
ouvindo os conselhos do mar
Torneira Maldita
a goteira não para
eu não durmo
espero o cair de cada nota
parece uma eternidade
silêncio que me sufoca
chuva que não molha
boca seca
agonizando a água que cai
Mesma História
Será que lemos velhas histórias
porque não queremos surpresas?
Já sabemos o começo, o meio, o fim
As páginas estão amareladas
eu amadurecida
mas a história é a mesma
E o livro cheira a mofo
Verde Desencontro
nunca pude olhar fundo
esses olhos verdes
sempre passando ...
sempre no alto ...
sempre
de vez em quando
ontem
amanhã
depois
só daqui uns anos
não importa o tempo
sempre faço deles um mergulho
o último
num lago de água de coco
fresca
doce
como teus olhos verdes
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